20 de junho de 2021

A Moça Com Brinco de Pérola


 

A Moça Com Brinco de Pérola,

De olhar e mistério profundo,

Uma das obras Barrocas,

mais famosas do mundo.

 

Lápis lazúli em seu lenço,

Forma, sombra e luz,

Revelam seu drama cotidiano,

Contornos que a pintura traduz.

 

A obra encontra-se na Holanda

e Vermeer, assina a criação.

E assim, a arte permeia a história,

e os rumos estéticos de sua feição.



 


13 de junho de 2021

Licença Poética

E por achar-me assim,

meio louca

meio santa,

É que sigo acreditando,

que amarei até o fim.

Sem medos, nem arrependimentos,

Sem as respostas que não teve de mim.

Sem o tempo que escorreu pelos anos,

vagando entre o profano,

dos prováveis desenganos.

 

Detalhes sem proveito,

Que não apartam nossa retina.

Lembrei-me daquela rotina,

ouvindo Espanhola no rádio.

Guarabira entenderia

o quanto eu amaria

mesmo sem os instantes,

que te fizeram raro.

 

Peço à licença poética,

seja cúmplice de tal relato

por ostentar a intensidade,

bendizendo o amor de fato.

 

Às avessas de zelo profundo

e distante de tal arrebatamento,

percorro intuição manifesta,

abrigada em brioso lamento.



9 de junho de 2021

LABIRINTO




Percorro um labirinto

Onde as palavras se escondem.
Nem sei como entrei.
Não me preocupo em sair.


Aprecio o inexato,
Abstrato
e o extrato da emoção.
Ainda que não me sobrem respostas
Ou pronomes oportunos
Eu, nós...

Estamos sós,
Caminhando por vogais.


Acredito e coexisto
nos acordes de
ilusões e desejos.


Passaria tudo a limpo,
mas não perderia a intenção dos rascunhos.




7 de junho de 2021

O Momento Ideal

 

O momento ideal

É o que se vive agora.

Sem expectativas extremas,

Sem certezas, sem demora.

 

Pelo melhor momento,

Não paralise seus dias,

Corra riscos calculados,

por fecundas alegrias.

 

Tenha coragem, vá em frente,

Mesmo rente à epiderme vil,

Lídima é a impermanência,

Na insensatez de rude ardil.



 

 

6 de junho de 2021

Letárgica Impressão

Não se assombre

com o porvir eivado,

tragando as horas

da graça, ao desbarrancado.

 

Não se iluda.

Tudo não passa de

Uma letárgica impressão

Oportunista e melancólica.

 

Somos humanos,

Somos falíveis,

Estamos evoluindo.

Somos incríveis.

 

Seja seu guia, o amor,

a flor que drena a dor,

o sol a resplandecer,

o canto do beija-flor,

o orvalho do alvorecer.





 


Jânio Quadros

 


Recebi do caro amigo escritor  Bernardo Schmidt, essa preciosa obra literária de sua autoria : “Jânio, Vida e Morte do Homem da Renúncia”. 

Um livro valioso, com dados riquíssimos, em uma narrativa construída por um intelectual incansável pela pesquisa e pelos detalhes. Estou encantada pela leitura, principalmente, porque fizemos parte da vida pessoal do Dr Jânio. 

Agradeço e congratulo o autor, pelo eminente trabalho.

5 de junho de 2021

Ela, Macabéa

 

De simplicidade comovente,

Macabéa é o retrato

da miséria material,

e da miséria existencial,

implacável e insolente,

que nos arranca

de forma potente,

o insigne verniz social.

 

Macabéa,

em suas fragilidades,

escancarou os preconceitos,

e os signos da marginalidade,

pois carregava sobre si,

o desprezo da sociedade.

 

Na Rádio Relógio,

essa mulher invisível,

inspira sua mente

limitada e rizível.

Uma mulher,

Sem muitos cuidados,

ou qualquer vaidade

mas que trazia no rosto,

alguma suavidade.

 

A datilógrafa com seus sonhos

e tragédias de verdade,

incomodava por lembrar ao mundo,

suas próprias iniquidades.


Alimentava seu corpo

apenas com coca-cola,

e cachorro quente.

Viu definhar sua saúde,

acabou ficando doente.

 

E por andar assim,

desatenta e displicente

terminou por encontrar a morte,

que a fez estrela, tardia,

em dor pungente.







 

 

1 de junho de 2021

Jardim das Epifanias

 

Não escapes

o tempo inteiro,

e não insistas

nesse estranhamento débil,

por toda a vida.

Não há limite

para incoerência do enredo

sem sentido, 

onde o inesperado 

pode acontecer.

E, então, 

a revelação,

o extraordinário

jardim das epifanias.


No bailar lispectoriano,

inclusive o amor,

gravado em turbulência,

denota o perigo

de estar só, 

uma solidão inexorável.

 

Viver é gênero da opulência,

viver é bom.

Viver é um processo,

pode doer,

mas existe o prazer,

infinito e

intumescido,

pela sua intensidade

que transborda,

amiúde.


Para enxergar o belo

em um universo de

conveniências rasas,

existem os detalhes,

que prescindem ao contexto,

descobertos pela hermenêutica

de um fluxo de consciência.


É preciso ultrapassar o óbvio

das utilidades perversas

e inventar alguns paradoxos,

em que a vida não poderá sucumbir.