28 de março de 2011

A importância de um Abraço



Um dia desses, eu andava pelo shopping e ao subir a escada rolante fiquei observando duas pessoas que se abraçavam demoradamente.
Acredite, me fez bem só de olhar. Acalentou-me por toda a tarde, aquela manifestação de carinho.
Um gesto suave, um forte abraço.
Imaginei que quentinho, caloroso, deveria estar.
Durante o tempo em que eu subia as escadas, não consegui desgrudar meus olhos daquele momento único, demorado...
Notei que outras pessoas olhavam. Um abraço apertado é algo tão bom que contagia de carinho quem está por perto.
O abraço em si é uma troca intensa de energias.
Eu tenho uma amiga, que não gosta de dar a mão para cumprimentar. Abraçar então, nem pensar. Ela crê que trata-se de um furto de energia. Imagine...
Não se prive de um abraço. Não prive ninguém do seu abraço. Um abraço sincero, tem um efeito terapêutico, restaurador, porque nos faz sentir seguros, nos dá confiança, nos valoriza e nos dá força. É um ‘Tudo de Bom’ que nos faz feliz e nos deixa com sentimentos positivos.
Não me lembro de haver presenciado um abraço tão longo e especial, assim, em público.
Só de olhar, senti ternura em meu coração.
Só de olhar me fez bem!
Valeu!

13 de março de 2011

Amor e Liberdade

"As pessoas precisam de mais amor, que de julgamento.
As pessoas precisam de mais carinho, que de críticas.
Mais de afeto, que de objetos.
 As pessoas precisam de mais perdão.
Perdoe. Perdôe-se. Liberte-se."
 (Carmen Eugenio)

Qual a sua cor preferida?


Até outro dia, eu responderia de imediato esta pergunta.
Mas hoje não consigo.
A vida, feita de ciclos, está mudando novamente. Eu devo estar encerrando ou iniciando mais um deles.
Nem sempre a transição de ciclos é pacífica ou alentadora. Ás vezes é pontuada por rupturas.
E rupturas são dolorosas.
Mudar, geralmente, dói. Mas é necessário.
Principalmente, quando algo não está tão bom, quanto você gostaria que estivesse.
Então, é preciso coragem. E é preciso coragem para promover mudanças em você. Desista de querer mudar os outros. Isso é pura ilusão.
 Mudanças são vôos solos.
A grande vilã desse processo, tão natural, é a rotina. A rotina acostuma, acomoda, tiraniza. Nos faz ter medo do novo.
Há dias que nos falta ânimo até para sair da cama. Mesmo assim, abra a janela e deixe a luz do sol inundar seu espaço, seus passos, sua vida. Essa força, te fará companhia quando sentir solidão ou fraqueza.
As pessoas precisam de mais amor, que de julgamento.
As pessoas precisam de mais carinho, que de críticas.
Mais de afeto, que de objetos.
As pessoas precisam de mais perdão.
Perdoe.
Perdôe-se.
Liberte-se.
Abra espaço para o novo.
Respire profundamente, os ares da esperança.
Ainda que o cenário permaneça o mesmo, seus pensamentos estarão mais leves, sua alma mais serena, seu coração renovado.
É um outro ciclo que te abraça e inaugura um novo ser!

Carmen Eugenio



"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."
Rubem Alves

20 de fevereiro de 2011

E a Luz?


De vez em quando,
Sem perceber direito,
A luz

Desaparece
Não sei por quê,
Não sei como,
...para onde vai?


Fico a procurar

E a querer
Que não desapareça,
Não me abandone ao breu.
Ao suprimir o clarão
põe em chaga o meu coração.


E eu,
Despojada de postura estóica
Por demorada ausência,
Encontro-me em abstinência involuntária,

Da simbiose que me abraça
Docemente.

 


16 de fevereiro de 2011

Hiatos


Insolentes equinócios, 
hiatos.
Esperança, 
ainda que ocaso.
Não sem querer
Espero as cores do crepúsculo.
Cerca-te híade 
e meus dias se eternizam.

Como é insuportável ver nuances sem tocar  nos matizes.

(Carmen Eugenio)


15 de fevereiro de 2011

Saber Ouvir



Hoje em dia é cada vez mais raro encontrarmos pessoas dispostas a ouvir verdadeiramente, o outro. Trata-se de uma doação de si mesmo, de compartilhar momentos intensos e verdadeiros com os demais.
Estamos cada vez mais apressados, mais impacientes.
As relações interpessoais são comprometidas dessa forma.
Principalmente com os mais próximos. É comum encontrarmos desentendimentos em família ou com as pessoas no ambiente de trabalho, de estudo.
Onde estaria o cerne desta questão?
Procurei abordar o tema, através de um prisma. Mas existem outros tantos pontos de vista capazes de promover e otimizar a gênese das relações.
Busquei na teoria de Rogers e sua Psicologia Humanista que tem como principal característica uma abordagem que é centrada na pessoa, respostas e caminhos para empreender uma evolução nas relações pessoais.
Os indivíduos possuem dentro de si vastos recursos para a autocompreensão e para modificação de seus autoconceitos, de suas atitudes e de seu comportamento autônomo. Esses recursos podem ser ativados se houver um clima, passível de definição, de atitudes facilitadoras" (ROGERS, 1983, p.38).
Segundo Rogers, há três condições que devem estar presentes para que se crie um clima facilitador de crescimento:
1) - A primeira condição poderia ser chamada de autenticidade, sinceridade ou congruência. O termo "transparente" expressa bem a essência desta condição. Assim, podemos ver claramente quem são as pessoas. "Portanto, dá-se uma grande correspondência, ou congruência, entre o que está sendo vivido em nível profundo, o que está presente na consciência e o que está sendo expresso pela pessoa" (ROGERS, 1983, p.39)
Desta forma, quanto mais sermos nós mesmos na relação com o outro, maior a probabilidade de que o outro mude e cresça de um modo construtivo. Isto significa viver abertamente os sentimentos e atitudes que fluem a cada momento.
2)- O segundo elemento importante na criação de um clima que facilite a mudança é a aceitação, o interesse ou a consideração. É o que Rogers chama de "aceitação incondicional": "Quando temos uma atitude positiva, aceitadora, em relação ao que quer que o outro seja naquele momento, a probabilidade de ocorrer uma mudança aumenta" (ROGERS, 1983, p.39).
É natural que desejemos que o outro expresse os sentimentos que estão ocorrendo no momento, mas este interesse não pode ser possessivo. Devemos ter uma consideração integral pela pessoa.
3) - Por fim, o terceiro aspecto facilitador da relação é o que o autor chama de "compreensão empática". Isto significa que podemos captar com precisão os sentimentos e significados pessoais que o outro está vivendo e comunicar esta compreensão ao mesmo. Obviamente, este tipo de escuta, ativa e sensíve,l é extremamente rara em nossas vidas. Mas também não é impossível de desenvolvê-la.
Desta forma, existe a possibilidade de modificação e transformação das pessoas, que se auto-compreendendo, podem desenvolver plenamente sua potencialidade.
Mas a mudança não ocorre de qualquer jeito, a qualquer momento. É necessário que se crie condições propícias para a transformação. E como estas condições que acabaram de ser descritas podem criar um clima capaz de levar à mudança?
• Segundo ROGERS( 1983) quando somos ouvidos de modo empático e à medida em que somos aceitos e considerados, tendemos a desenvolver maior consideração em relação a nós mesmos, permitindo desta forma, que sejamos propiciadores mais eficientes de nosso próprio crescimento.
A abordagem centrada na pessoa baseia-se na confiança em todos os seres humanos.
"Na natureza tudo se transforma". Indubitavelmente, manifesta-se a evolução.
Portanto, dedique seu tempo a quem você ama. Olhe nos olhos de seus filhos. Escute-os, sem interromper. Dispense instantes a prestar atenção no outro, a ouvir atentamente, mesmo que seja algum colega de estudo ou de trabalho. Desacelere um pouco. A qualidade das relações irá melhorar, você terá um maior suporte emocional e entenderá que a vida continua valendo a pena!





11 de fevereiro de 2011

Possível Sensatez

Ando sobre marés...
as águas levam o tempo
e o tempo muito me traz.


Algo, insistentemente,
querendo sobrevir à obliquidade
do meu pretenso auto-controle.
E por que não?
Surja,
rompa distâncias,
desafie hipóteses,
divirta-se volatizando retóricas
de alguma sensatez.
Se pensa, se aposta,
eu junto uns ´possíveis`
com vastos quereres
e dezenas de talvezes.


No espelho,
uma esfinge desnuda e atônita
espectadora do elo
com o fortuito surreal.

 

 

 


6 de fevereiro de 2011

Muito Prazer


Muito Prazer

 

Prazer, eu sou apenas eu.

Não sei se sei dizer tudo sobre minha vida.

Mas gosto de conversar

sem tempo para terminar.

 

Sem aparatos, retratos, contratos e extratos

quero apenas ser ou estar.

Sou alguém que gosta de olhar para o céu

e me esqueço contemplando o mar.


Caminho pelas nuvens,

Tenho sonhos e um violão.

Carrego vontades e sei sorrir.

Conheço estradas e solidão.

 

E se outro dia se transformar

em todo o tempo ou muitas horas

Talvez eu aprecie cada segundo

E tenha saudade da sua presença.

 

Quando me encontrar
me ouça sem tanta razão.
Quem sabe o nada

Transponha estação.

 

Conversei com um Anjo


Essa tarde conversei com um anjo.
Não vi suas asas, mas senti sua pulsação.
Que anjo lindo!
Tão suave, tão sensível, tão etéreo.
Beijou meu coração e desejou-me uma linda vida.
Seus olhos sorriam para mim
E me trouxeram serenidade.
Senti uma imensa vontade de estar ao seu lado.
De ouvir mais palavras
De beber seus gestos
De partilhar mais instantes de sua beleza
De me enamorar de sua gentileza.
Todos os dias, ele traz uma mensagem.
De amor, de esperança, de bondade.
Eu quero estar sempre perto dele
pois com sua presença senti “Felicidade”.
(Carmen Eugenio)

24 de dezembro de 2010

Signo Deleite


O amor transborda 

e o entorno fica diferente.

Há cores que cintilam

Sob um olhar reluzente.

 

Tudo brilha

com o deleite do lampejo.

A alma quer ouvir,

sentir novamente a proximidade

que rompe quietudes

e invade mistérios.

 

O céu está mais azul, o ar mais suave.

As pessoas com seus significados e signos,

agora fazem sentido.

 

E todas as melodias

Transportam para o infinito.

Encantam e transformam

o universo que floresce bendito.

 

 


24 de novembro de 2010

Labirinto

  

Percorro um labirinto
Onde as palavras se escondem.
Nem sei como entrei.
Não me preocupo em sair.

Aprecio o inexato,
Abstrato
e o extrato da emoção.
Ainda que não me sobrem respostas
Ou pronomes oportunos
Eu, nós...

Estamos sós,
Caminhando por vogais.

Acredito e coexisto
nos acordes de
ilusões e desejos.

Passaria tudo a limpo,
mas não perderia a intenção dos rascunhos.




20 de novembro de 2010

Crônica da Menina Só

Esses dias encontrei uma menina com um semblante triste e resolvi me aproximar. Perguntei:
- Oi, meu nome é Carmen! Você está triste?
Ela respondeu:
- Não sinto alegria.
Eu falei:
- Mas você é uma menina tão bonita, com saúde, tem sua família, tem sua casa. Além disso, é tão admirada, cercada de pessoas que te querem bem. Por que se sente triste?
- Eu não sei. Não consigo encontrar-me comigo mesma. Não sei o que quero, o que faz me sentir triste, o que preciso, não sei nem se me conheço. Às vezes tenho vontade de chorar e nem sei porque. Então, se você me pergunta se estou triste, lhe respondo que sim, mas não sei explicar o porquê.
- Se quiser minha ajuda...
- Como você poderia me ajudar? Por acaso você se conhece, sabe se pode realmente me auxiliar?
Eu não soube responder àquela pergunta...mas eu estava com boa vontade...queria poder dar-lhe a mão e tirá-la daquele instante adverso.
- Você tem razão. – Eu disse. Não tenho certeza se me conheço tão bem, a ponto de poder ajudar alguém. Mas posso ouvi-la. Estarei por perto se quiser conversar. Acho que posso te dar esse pouco de mim mesma. Minha atenção.
- Preciso de um pouco de atenção mesmo. Um pouco de carinho. Não sei se tenho carinho nem por mim mesma. Não sei se estou disposta a conversar com meu próprio eu ou com você. Já lhe disse mais do que pensei que pudesse. Sinto solidão, mas não tenho vontade de estar com alguém. Quero estar sempre só. Estou a procura de algo que nada, nem ninguém pode me dar. Já estive em muitos lugares, já conversei com muitas pessoas, mas existe um vazio insistente dentro de mim. Um vão, um vácuo que nunca se preenche. Então resolvi observar esse nada que dominou meu ser.
- Não sei se a entendo, mas sei que não temos o direito de julgar ninguém. Cada um de nós, tem seus limites e qualidades. De qualquer forma, saiba que percebi sua tristeza, mesmo parecendo estar cercada de felicidade. Posso não ter respostas para suas aflições, mas tens minha solidariedade e companhia, se precisar e, claro, se assim o desejar.
Então, me despedi e fui embora. Sem compreender aquela tristeza inexplicável e sem conseguir responder aquela pergunta: Você se conhece?
(Carmen Eugenio)