22 de dezembro de 2020

Para o Ano que Chega

Para o Ano que chega,

Escolha o perfume de uma flor,

algo que valha a pena,

Da paisagem à retórica do amor.

O mundo tem boas surpresas

E o extraordinário ao redor,

Dê chance a essa beleza,

E tudo ficará ainda melhor.

 

Não se deixe cegar pela antítese da alegria,
Pois antes de cada passo e em cada oração,

existe a semente de um querer bem

e a centelha da própria criação.

 

E pode acreditar

Que seu ano será diferente,

Cheio de convívios sinceros

e instantes singulares pela frente.





 

9 de dezembro de 2020

INDEFECTÍVEL ABISMO


Ele quer, te olha e tem vaidades,

Faz deboche da tua escuridão

Ao dissipar arroubos e possibilidades

Vê desnecessária tal pretensão.

 

Sua pueril ternura e ácida frieza

Estilhaçariam emoções insondáveis.

É opcional compartilhar a incerteza

E recortes de meus afetos inefáveis.

 

E assim o é

E o seria

Ainda que brando estivesse.

 

Ainda que eu partisse, volátil,

O abismo então, se compraz tardio,

Desatando o nó, do meu próprio canto sombrio.







 

 

7 de dezembro de 2020

TEMPO E REDENÇÃO


Abro os braços.

Existem motivos para seguir adiante.

Depois do sofrimento,

O aprendizado me faz confiante.

 

São nas trilhas dessa vida

Que encontro alegrias,

sorrisos e algumas armadilhas.

E tudo dá sentido aos dias.

 

Quando há revés

Faço oração,

Ocupo o tempo,

Acalmo o coração.

 

Tudo passa bem depressa,

A vida é feita de momentos,

Tem música, tem verso,

Na celebração de cada acontecimento.

 

As respostas virão com o tempo,

Vislumbro razões, aprimoro a mente,

O mundo corre pelas veias,

O sol sempre brilha novamente.





Cinza, Cor de Festa


Hoje o dia acordou cinza,

com jeito molhado,

Me dizendo sobre manhãs

De encanto e céu nublado.

 

O aroma era de café forte,

Algo cálido que se instalava

Enquanto a semana, por sorte,

Novos planos, anunciava.

 

E cantam bem-te-vis

Em dança que verte proeza

araras aos pares se espalham

Num espetáculo de rara beleza

 



 

 

 

 

 

26 de novembro de 2020

ACOLHIDA


Estive a léguas de um canto seguro,

Andando com vestes coloridas,

Insisti, roguei aos santos e juro,

Cheguei a tempo de ver janelas floridas.

 

Seria desnecessária qualquer providência

Sem a benção de fé revestida.

Aprendi que é de praxe a reverência

Que cada um deve ter pela vida.

 

Não desisti na primeira queda,

Nem abusei da mão estendida,

Valor maior que qualquer moeda

É louvar amizade e acolhida.

 

Visitando segredos pelo tempo,

Escritos em versos pela cidade,

Sendeiro testemunha alento,

Transforma o ciclo em festejo de verdade.

 






 

 

 

 

 

19 de novembro de 2020

Embala e dá o Tom, Menina

 

Embala e dá o tom, menina,

O suspiro é do glacê,

O vestido evasê,

A saia godê,

O quarto rosé.

 

Escuta aquele som, menina,

Não chegues tarde,

Não faças alarde,

O sol arde,

Benze-te e te guardes.

 

Cadê o teu batom, menina?

Se for para tua felicidade

Domas a realidade,

Enfrenta com dignidade,

Conquista a faculdade.

 

Decifra o teu dom, menina,

Alcanças teu lugar,

Aprendas a te amar,

Queira te concentrar,

Vejas tua vida desabrochar.

 



 

 

 

 

 

Dança Lua


             

Há pétalas sobre a varanda,

O sol invade a escuridão,

A bergamota que permeia o espaço,

Incensa e afasta a solidão.

 

Ela é plena, move o mundo

E expande o horizonte 

Convicções e zelo profundo,

Por ser terra, mãe e instante.

 

Seus credos e segredos,

Doce sopro e labareda,

Esplendor de certezas e medos

Descortinam azul vereda.

 

Alma negra dança lua

Que carrega tradição,

Uma força que cultua

Amor, entrega e emoção.

 





 

 

18 de novembro de 2020

NEGRA TEZ


 Partilha teu sentimento,

 Transborda sensatez,

 A beleza que trazes na alma,

 Revela-se na tua tez.

 Não sei se exala perfume

 Ou espalha sonhos outra vez.

 

 Desliza pela guia

 que exprime tua essência

 tingida por carmim,

 em sã consciência.

 Serena, desacelera o passo

 e suaviza a permanência.

 

 Quando despertas e respiras

 no ensejo da reconciliação

 com teu universo raro

 trazes no bojo, imaginação.

 Cantaria teus prelúdios,

 Negra tez, que vibra emoção.

(Obra da artista Isadora Cullmann - CG-MS)

 

 

 

 

 

 




 

23 de setembro de 2020

De Stella Para Romilce

 Na mesa estavam: papai, mamãe, vovô e vovó. Depois de vários dias e muitos nomes, restaram apenas dois nomes para escolherem: Carla ou Stella. Carla, por ser feminino de Carlos, nome do papai, portanto, escolha dele. Stella era escolha da mamãe, por significar 'Estrela'. Então começaram a votação e por fim, o nome escolhido foi Stella.

Meus avós ficaram muito felizes com meu nascimento. Primeira neta, uma alegria na vida deles. Minha avó sempre brincava comigo, me levava para comprar vestidos e fazer muitos passeios. Mas, principalmente, minha avó me ensinava a importância de Deus em nossa vida. Sempre íamos à igreja, todos juntos, aos domingos e todos os livros que ela me dava, eram com histórias de Jesus. Ela adorava me contar histórias.

Porém, um dia, quando eu já estava com seis anos, meu pai me chamou e me contou que minha avó estava com uma doença muito grave e que ela seria operada. Eu tinha certeza de que minha avó seria vitoriosa e ela foi. Apesar do câncer tão agressivo de que foi tratada minha avó, ela lutou, fez um longo tratamento e ficou bem. O médico lhe deu alta e meses depois, minha avó estava dando palestras de superação na igreja. Como eu admirava sua coragem e determinação! Ela poderia estar triste, reclamando, mas não, ela agradecia sempre a Deus pela vida, pela oportunidade de estar novamente com sua família e amigos.

O médico disse que, se passassem cinco anos sem voltar a doença, ela estaria curada para sempre. E cinco anos se passaram. Vi minha avó muito feliz e plena. Realizando muitas atividades, muito esperançosa e cheia de vida. Porém, para tristeza de todos, depois de cinco anos, o câncer voltou, dessa vez no pulmão. 

Vovó então, começou novamente, todo o tratamento necessário, sempre com o apoio do meu avô. Eu nunca vi desânimo em seu rosto, nem em suas palavras. Ela enfrentou tudo com coragem e confiança em Deus.

Depois de quase um ano de tratamento, o câncer tomou o cérebro da minha avó, e ela não resistiu. Ela nos deixou, em uma manhã de primavera. Sim, nossa flor se foi, mas nos deixou seu legado de coragem, determinação, respeito, confiança e fé em Deus. Assim ela permanecerá para sempre em nossos corações.




15 de agosto de 2020

MALABARISTA

Eleva teu olhar

Que o instante passa,

Esquece o tempo

E urgências rasas

Vê os malabares que encantam as esquinas.

 

A cidade talvez não perceba,

O espetáculo, a beleza, a destreza

Que invadem, resolutos,

Nossos frágeis palcos urbanos.

 

O arremesso preciso

Do artista com seu sorriso,

Oculta dor

e drama invisível

Que permeia a paisagem

De cenário contundente.

 

Arte de querer latente

Num pulsar transitivo

e despertar contrito.

 


 

 

 

10 de agosto de 2020

Dia dos Pais é Todo Dia

 Meu pai é aquele cara que sempre esteve ao nosso lado. Festa dos pais, festa junina, festa dos amigos, aniversários, até serenatas que faziam para a gente ele estava junto. Um dia ele cismou de matricular, eu e a Valéria em uma aula de datilografia, às 7 da manhã. Meu Deus pai. Como assim?... Mas enfim, nos formamos na tal da datilografia com louvor. Um dia ele inventou um tal de despertador para não ter que acordar um por um, afinal éramos 4 filhos. Mas não era um despertador qualquer, aquilo mais parecia um relógio de parede de tão grande, orelhas imensas, e gritava mesmo. Confesso que aquilo me assustou muito. Papai resolvia por decreto, e ele decretou que cada dia , o “cebolão ‘ dormiria no quarto de um filho e este chamaria os outros irmãos para a escola. No meu dia eu enrolava o cebolão no cobertor e o colocava dentro do guarda-roupa. Ufa! Me livrei do forte Tic Tac durante a noite e ele tocava suave de manhã. Eu acordava plena e chamava a turma. E assim, achei um jeito de conviver com a nova ordem.

Um dia ele acordou, trabalhado na bondade, e concordou que poderíamos ir pela primeira vez à uma balada, quase aos 18 anos de idade 😰, mas que deveríamos voltar às 23h. Meu Deus pai, a balada começa às 23h. Um dia ele acordou cedo para nos levar para o vestibular e depois nos apoiou para ir ao encontro dos nossos primeiros empregos. Um dia ele comprou uma casa em um condomínio chamado Jardim Das Paineiras, distante sete quilômetros do centro. Meu Deus pai, você está escondendo a gente de quem? por quê? Aí ele brincava: Quero ver algum namorado chegar até essa distância . Mas chegaram. E um dia, pediram suas filhas em casamento e ele levou cada uma ao altar. Ele embalou seus netos e hoje, procura conversar com todos. O tempo passou, mas nosso herói continua o mesmo de sempre e, então, buscamos honrar cada segundo que Deus nos proporciona ao seu lado. Ao lado do nosso herói , nosso melhor amigo, nosso pai querido e tão amado. Por causa do meu pai, nós descobrimos que o dia dos pais é todo dia! Gratidão, exatamente,por tudo🙏🏻 #pai #paiheroi #amordepai


3 de agosto de 2020

Flores & Escartelate

Comemorar a vida

É sentir a magia das horas

feito brisa que sopra no rosto.

 

Comemorar a vida,

é ver que a beleza do dia

pode estar no cair da tarde,

no ensejo de um abraço.

ou no afago do aroma de alecrim.

 

É música que invade o jardim.

E nos infinitos das flores

e em cada canto deste mundo,

passo a compreender melhor

as cores que inundam meu abrigo,

que enfeitam as esquinas

e toda consagração.

 

O escartelate da minha infância...

guardo a lembrança,

do sabor, do doce, da emoção.

Por tudo, sempre,

Gratidão.

(Carmen Eugenio 6 de agosto de 2020)

(Escartelate é um doce italiano que minha avó paterna, Carmen Eugenio, fazia para todos os netos. Família típica italiana, sentávamos, efusivos, eufóricos e entusiastas, ao redor da mesa da sala quando então, vovó entrava, solenemente, com os escartelates mergulhados no mel, para deleite dos convivas. E todos nós temos essa deliciosa memória afetiva até hoje. E pelo resto de nossas 



Escartelates 



Doces de Escartelates com Mel da Vovó Carmen!

 

 

22 de julho de 2020

Refúgio na Pandemia 2020

Há instantes,

Reguei primaveras no jardim.

São movimentos e texturas,

Que me envolvem no retiro.

 Aprecio o balé das araras,

Numa lenta cadência

e despretensioso vagar.

Tem cheiro de manjericão no ar.

 

E o vento à espreita,

me encontra só,

como um resoluto esteta,

que contempla luas de quarto-crescente

com algodão doce na soleira.

 

E assim,

O caos se aquieta.

Em livros e poemas,

busco a companhia de palavras,

para atravessar o ciclo

e alcançar a revoada.

 (Na Pandemia, há Vida)